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Alimentos biológicos vs. convencionais - qual a melhor escolha?



Quando se fala em alimentos biológicos referimo-nos à sua forma de produção.


Segundo a Agrobio (Associação Portuguesa de Agricultura Biológica), a agricultura biológica visa produzir alimentos saudáveis e de alta qualidade, promovendo, simultaneamente, práticas sustentáveis e de impacto positivo no ecossistema agrícola.


Neste modo de produção não são utilizados pesticidas de síntese ou organismos geneticamente modificados e a proteção das plantas é baseada na prevenção recorrendo-se a métodos como rotações, adubos verdes e compostagem. Na produção animal biológica o respeito pelo bem estar animal é fundamental sendo facultado aos animais um ambiente onde possam expressar os seus comportamentos naturais e praticar uma alimentação adequada não recorrendo ao uso de hormonas ou antibióticos.





Na Europa, a agricultura biológica é alvo de legislação específica e os produtos provenientes deste tipo de agricultura são reconhecidos pelo logótipo europeu de Agricultura Biológica.


Esta forma de produção suscita o interesse de um elevado número de consumidores. São diversas as razões que os podem levar a preferir os alimentos biológicos ao invés dos que são provenientes de agricultura convencional, nomeadamente, questões éticas, sociais e de sustentabilidade ambiental mas, principalmente a convicção de que os biológicos são mais saudáveis.


Coloca-se então a questão:


Terão os alimentos provenientes da agricultura biológica um benefício acrescido a nível de saúde?


Do ponto de vista nutricional não existem diferenças significativas entre os alimentos biológicos e convencionais, no entanto, o que geralmente se verifica é:


  • Um maior teor de antioxidantes nos alimentos biológicos comparativamente aos convencionais, ainda que a diferença dependa do alimento.


  • Carne e leite biológicos apresentam maior teor de ómega-3, β-caroteno e vitamina E e uma menor concentração de colesterol, iodo e selénio. No entanto a diferença é irrelevante.


  • Uma maior ocorrência de resíduos de pesticidas e de cádmio (um metal tóxico) nos alimentos provenientes de agricultura convencional, o que não é de estranhar tendo em conta que são poucos os pesticidas permitidos na agricultura biológica. Ainda assim, os limites máximos de resíduos de pesticidas raramente são ultrapassados em qualquer um dos tipos de produção.


Estudos demonstram que o consumo de alimentos biológicos pode reduzir o risco de certas patologias e condições clínicas, como é o caso da obesidade e da síndrome metabólica. Contudo, e tal como estes estudos afirmam, a evidência não é conclusiva. Isto porque pessoas que escolhem alimentos biológicos também têm uma maior tendência em seguir um estilo de vida mais saudável.


Fica difícil concluir com toda a certeza que os benefícios de saúde se devem somente à escolha desses alimentos.


Preço - Um fator a considerar


Em apenas uma visita ao supermercado conseguimos verificar que, de facto, os alimentos biológicos têm, geralmente, um preço mais elevado comparativamente aos convencionais.


Em março de 2023 a DECO PROTESTE realizou uma pesquisa de preços que concluiu que a grande maioria dos alimentos biológicos custa, no mínimo, 50% mais do que os convencionais. A pesquisa evidenciou que, por categoria, os alimentos biológicos custam, em média, mais 7% a 180% do que os convencionais. A fruta, a carne e as leguminosas foram os grupos alimentares onde a diferença de preços foi mais acentuada.

Por outro lado, os produtos lácteos, as gorduras e o peixe em conserva apresentaram a menor diferença de preços.

Importa também referir que uma análise de 10 produtos alimentares frescos revelou que as lojas especializadas em produtos biológicos vendem 25% mais barato do que os hipermercados.


Então … qual a melhor escolha?


Tendo em conta a situação económica atualmente vivida no país seria contraproducente colocar os alimentos biológicos no primeiro lugar do pódio. O custo/benefício pode não ser representativo.

No caso de alimentos como o hortofrutícolas, por exemplo, cujos benefícios do seu consumo já são bem conhecidos, acaba por ser mais importante consumi-los de qualquer forma ao invés de os abolir simplesmente por não terem o selo biológico.


Para os felizardos que têm hortas ou familiares com produção local, é uma excelente forma de garantir maior qualidade no que consomem.


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